3.9.12

Jesus died for somebody's sins but not mine.


Já o tinha na prateleira há quase um ano, foi presente de aniversário. Just Kids, Apenhas Miúdos, a história da Patti Smith e do Robert Mapplethorpe, narrada por ela, desde que se conheceram no final dos anos 60, até à morte dele no final dos anos 80. E, apesar de contar os factos de uma forma um bocado superficial e idílica - já tinha lido algumas coisas, nomeadamente a propósito do caso dela com o Sam Shepard e não foi tudo um mar de rosas como ela deixa transparecer no livro -, é uma história lindíssima, principalmente no princípio. Por ser Nova Iorque nos 70s. Como já me tinha apercebido no Naked City, a cidade era suja e perigosa, os artistas não tinham onde cair mortos, passavam fome e criavam com o que lhes vinha à mão. Essa realidade, mais do que as tretas da paz e amor, essa crença em que estão a criar algo de maior, passarem muitas dificuldades mas conseguirem prevalecer e consolidar uma obra que hoje em dia encontrou, tanto no caso dela como no dele, e no de tantos outros que lhes foram contemporâneos, um lugar de relevo na história da cultura artística popular ocidental faz-me sentir ridícula por já ter quase 26 anos e não ter feito grande coisa, por me sentir restringida por não ter uma máquina melhor, ou por demorar um ano a acabar um texto, um desenho. Preciso de sair daqui.


16.8.12

you can only go so far in your mind...

Vinheta de Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Ba.


...ou como acabar de ler um livro belíssimo na pior altura possível.

24.7.12

girl, you have no faith in medicine

x-ray art by Nick Veasey

Caí numas escadas rolantes a tentar subi-las ao contrário. Lixei o joelho. Passado um mês ainda me doía quando me agachava. Fui ao ortopedista. Mandou-me fazer uma ressonância - nunca tinha feito, parece que uma pessoa está numa festa de techno -, e um raio x. Voltei para mostrar os exames: "-Ah, é só um traumatismo que demora algum tempo a passar, mas está tudo bem...mas já agora vais fazer fisioterapia e pelo que estou aqui a ver tens as rótulas um bocado deslocadas o que em si não representa grande problema mas vais fazer um tac para depois vermos se fazes umas injecções de não sei quê no joelho que custam praí 400 euros. Mas está tudo bem! Ora deita-te aqui para te fazer uma cena na perna que te vai doer de caralho e que tu não vais perceber muito bem porque é que o fiz. Tem um bom dia, são 70 euros!"

30.5.12




Por vezes tenho a impressão que sou daquelas pessoas que vivia bem se só ouvisse música clássica. Tava bem lixada.

8.5.12

Every fuckin' time.


Posso não acompanhar a série x, posso até gostar da série x mas não o suficiente para a acompanhar, só vi praí uns 10 episódios dos mais de muitos que ela já tem...mas de todas as vezes que ligo a televisão enquanto almoço/lancho/etc. está a dar um episódio que já vi.

28.4.12

Strangeways, here I come! uma parte qualquer



No meu sonho estava em Afife, saltei o muro de uma casa que já tinha andado a explorar quando era catraia - tinha muito a mania de coscuvilhar as casas em construção. A casa já estava pronta, era enorme e dizia-se que tinha sido construída por um gajo japonês, vocalista de uma banda qualquer que tinha tido um hit e feito rios de dinheiro. Entrei numa sala e estava lá o tal gajo japonês, começamos a conversar e entretanto entram dois bebés, ele muda-lhe as fralda e manda-os pra cama. Ele dá-me um beijo, comemo-nos um bocado, despimo-nos mas ele faz questão de continuar no piso de baixo, onde há uma espécie de estúdio e estão duas dúzias de pessoas a gravar e a tocar. E estamos ali nós, encostados a uma janela, em frente a toda a gente, puro exibicionismo, quando ele diz que não se consegue vir, larga-me e vai-se deitar num sofá ao lado duns gajos que lá estavam. Eu caguei, subi as escadas, vesti-me, e ia-me embora quando aparecem dois gatos gigantes japoneses cheios de dentes e de unhas e me atacam à cara podre.

7.2.12

Miss America


Desde que a conheci que admiro a música dela, a postura política dela, a irreverência e ironia, a maneira como conjuga várias influências de "música popular" - o dance hall, o funk carioca, o kuduro.

Agora é casada com o filho do CEO da Warner e actua na Superbowl com a Madonna. Um artista tem que fazer pela vida, right?

7.12.11

awesome site is awesome.



Abrir este site só no caso de não ter nada pra fazer nas próximas seis horas.

OMG



Gosto de botas duras. Daquelas pra matar baratas.

os críticos são todos homens baixinhos, feios, gordos de óculos que se vingam dos padrões de beleza da sociedade encharcando-nos do alto do seu pedestral intelectual com a sua verborreia.



Noutro dia lia a crítica ao "Melancholia" do Trier no Ipsilon online feita pelo Vasco Câmara (reparei há 5 min. numa nova, feita pelo Jorge Mourinha). Não acrescentam muito, Lars von Trier é amor ou ódio - mesmo no meio crítico cinematográfico, mesmo no meio de snobs cinematográficos que dão cinco estrelas a tudo o que seja independente/degesto e zero ou uma - e já vão com muita sorte - a tudo que tenha uma pitada de mainstream que seja. Mas o que me chamou a atenção foi um comentário feito por um leitor, Vítor Barreira, que refere - e muito bem - a leviandade com que os críticos misturam o homem e a obra. Mas é só quando lhes convém, claro - veja-se o caso do Polanski..., mas esse coitado, dá-se um desconto, já foi há tanto tempo e ainda por cima os outros fanáticos mataram-lhe a mulher e o bebé...
Na corja de intelectuais obtusa e conservadora que é o meio cinematográfico claro que o discurso de Cannes caiu mal e foi alvo de mal-entendidos. Eu tou-me a cagar pró facto de o gajo ter descoberto que tinha um avô alemão ou dizer que se conseguia identificar com Hitler ou as razões que ele teve para dizer isso. Eu gosto dos filmes dele. Considero-os muito bem feitos em mais do que um sentido. Aliás, era este outro tipo de análise que Vítor Barreira, no seu comentário assertivo, pedia : 

«Seria interessante, isso sim, sem qualquer desqualificação, pressupondo no senhor VC um elevado estatuto crítico e cultural, saber o que ele pensa, em concreto, sobre os seguintes elementos de análise do filme “Melancholia”: a) a sua forma/estrutura narrativa, b) a construção das personagens do filme, c) a mise en scène – contributo dos cenários, da representação dos actores, os costumes, props e makeup dos actores, a iluminação, a composição dos planos, enquadramentos e cores – d) a cinematografia, nos seus aspectos fundamentais: movimentos das câmaras, ângulos e distâncias, lentes e filtros utilizados, efeitos visuais, e) a edição, ou seja, a montagem do filme, f) o som, quer o som diegético quer o som extra-diegético, diálogos, efeitos de sonoros, g) a música, de que forma contribui para a construção do sentido do filme, e depois, h) a análise do sentido histórico-filosófico e sociológico-cultural do filme. Estes, sim, são elementos que importaria trazer à análise do filme “Melancholia”, se se pretendesse levar a cabo uma análise séria e digna do referido filme (...)»


e lembrei-me disto porque me chegou pelo correio isto : 


Já tinha lido dois ou três textos, achei piada e resolvi comprar. Há uma coisa que me acontece frequentemente que é calcular o valor do "todo" - neste caso o conjunto da obra de alguém - pela "parte" - algumas coisas que esse alguém produziu e que me agradaram. Como por exemplo, se me perguntarem se gosto de Joanna Newsom respondo afirmativamente sem hesitar, quando, na verdade, gosto apenas do álbum "Ys". Hoje reparei que acontece uma coisa parecida com o Miguel Esteves Cardoso. Na verdade, só gosto mesmo mesmo do "Causa das Coisas". O resto que li dele não me emocionou, das crónicas diárias há uma que se safa quando o rei faz anos. Agora, aquilo que se aplica aos críticos de cinema descrito acima aplica-se também à crónicas de música do MEC. Basicamente as crónicas são uma salgalhada de nomes de bandas e álbuns à mistura com uns adjectivos sonantes que acabam por construir texto bem escritos mas sem sumo nenhum. Quero lá saber eu que os Joy Division - a única banda digna de respeito - produzam música entesante e entumecedora que o eleva eloquentemente num estremecimento enternecedor? Ah! Mas aquilo não é crítica, é EScrítica...pois sim, é assim que eles se safam.


OU

isto tudo é pura e simplesmente rebarbamento por o gajo deitar abaixo o "Dare" dos Human League e dar uma estrela ao "Fire of Love" dos Gun Club, duas estrelas à "More Than This" dos Roxy Music, achar que a únicas bandas que valem a pena são os Joy Divison e os New Order, gostar de reggae, UB40(!!) e outras facadinhas que tais, que me permitem afirmar, sem nenhuma sombra de dúvida, que este gajo não percebe nada de música. Se percebesse não tinha escrito que os Oranje Juice eram a "next best thing".

26.11.11

Das vezes em volto a acreditar na humanidade.

(a descoberta mais fofa dos últimos tempos : Kitten Covers. Embora cometam um erro recorrente : o gajo não tem olhos de cores diferentes! Façam pesquisa! Pouca coisa me irrita, mas não sei porquê este erro mexe-me com os nervos, até porque a verdadeira razão do gajo ter olhos freaks é bem mais interessante e invulgar do que ter um de cada cor.)

Estava a arrumar a cozinha. Na televisão, uma série qualquer de espiões  mostrava dois deles em Berlim, o big boss e a subordinada. Conversavam os dois enquanto olhavam para a cidade. No meio do diálogo : 

Ele : "Turn and face the strain."
Ela : Brecht?
Ele : Bowie.
Ele : Fez três álbuns aqui em Berlim.

Três vivas para os guionistas nerd das séries chungas de Sábado à tarde.


25.11.11

"Life sucks and then you die."*

* uma crítica bem humorada a Melancholia (Lars von Trier 2011),  Mark Hobin no Rotten Tomatoes.

Mas não interessa muito agora dissertar sobre a vida e a morte, embora Lars von Trier tenha muito gosto em fazê-lo, de preferência com muito sofrimento - tendencialmente feminino - à mistura. Kirsten Dunst é uma senhora que sofre de uma doença indefinida, com uma família disfuncional. O filme baseia-se na relação dela com a irmã - cada uma delas têm direito a uma parte do filme em que é "protagonista" ("Justine" e "Claire") - sendo a estória apimentada com um suposto planeta, "Melancholia",em rota de colisão com a Terra. Já li algumas críticas que sustentam que o tal planeta que choca com a Terra é uma metáfora, blá blá blá, até ai posso aceitar, até porque acho que o nome Melancolia não é inocente, tanto pelo significado da palavra e a sua relação com o estado de espírito de ambas as protagonistas, como pelo facto de "melancolia" ser originalmente um dos pecados capitais - hoje em dia bem que os cristãos tavam lixados, com tanta depressão que prai anda...
A questão é que a senhora Dunst ainda tem que comer muita sopinha para fazer uma interpretação digna de um Lars e que não envergonhe as suas predecessoras. É sempre arriscado apostar em figuras muito vistas para este tipo de filme. Lars contrariou esta afirmação quando apostou - e muito bem - em Nicole Kidman para Dogville. Arriscou ao fazê-lo de novo, ainda por cima rodeando Dunst de Alexander Skarsgård, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland - o primeiro é a mais recente paixão das pitas (eu incluída) da super-série vampiresca True Blood, Charlotte teve um papel tão marcante em Antichrist que é um erro usá-la no filme seguinte (embora tenha um bom desempenho) e Kiefer, o senhor 24 Horas, até se porta razoavelmente bem prá coisa.

Mas já me estou a perder, não era minha intenção dissecar o filme, mas sim esta imagem:



Esta imagem figura na maior parte dos cartazes promocionais do filme e faz parte da sequência inicial, uma coisa super formalista que Lars inventou como prólogo e que só se irá perceber bem no fim do filme.
Quando vi isto, pensei para comigo : "Outra vez a Ofélia". 


Ophelia(a do Hamlet, que se afoga no rio) é um dos quadros mais famosos de John Everett Millais, pintado entre 1851-52. Foi sempre um quadro que me fascinou e não é a primeira vez que topo que alguém o usa como referência, já aqui tinha falado nele a propósito do Nick Cave e do vídeo da Where the Wild Roses Grow.
Mas, claro, posso estar a ver coisas onde não existem, tanto quadro, tanta referência que praí anda...no entanto o senhor Lars é um querido e faz questão de nos mostrar de onde vêm as coisas :




Há uma cena em que Justine (Dunst) está na biblioteca, chateada com a vida, olha à sua volta e só vê quadros abstractos nos livros expostos ( tudo Suprematismo, arriscar-me-ia a dizer tudo do Malevich, na segunda imagem vê-se bem o Quadrado Branco Sobre Fundo Branco). Então, começa a substituí-los por outros livros, com pinturas figurativas.





E...voilá! A Ophelia lá no meio!

3.11.11

asses to asses





...and a boner.

25.9.11

strangeways, here I come! (com participação especial)

No meu sonho eu estava num café no Porto, em cima de uma mesa, de pernas abertas. E estava um gajo a masturbar-me. Esse gajo era um amigo meu que é gay. Só que não era bem ele, era a cabeça dele num corpo grande e musculado. Será que estou a reprimir alguma coisa?


Reposta de um grande palhaço armado em psicanalista da revista Maria:

«Arq. Mariana,
Junto segue o seu relatório clínico, na sequência das sessões de psicanálise que efectuou com o Dr. X.
De uma forma simples, podemos reconduzir o seu caso a uma das três hipóteses seguintes, descritas por Jung no ensaio clássico "Sexo com paneleiros em locais públicos: encruzilhadas da nossa mente":

a) acha V. Exª o cavalheiro em questão uma pessoa atraente, e a cena do corpo musculado é naquela do "se não fosse panisgas marchava";
b) tem a Srª. Arqta. alguma fantasia latente com gente do sexo oposto que prefere o seu próprio sexo. Provavelmente vai ficar espantada, mas acredite que qualquer homem percebe isso na perfeição. Aliás, estou certo que se procurasse bem no seu sonho, veria que por trás do cavalheiro estaria um outro cavalheiro, eventualmente moçambicano, a soprar-lhe ao pescoço.
c) ou como dizia o Y, o que a Srª Arqta. quer é gajos.  

por favor envie à D. Z o seu nº do SNS / ADSE, para que possa ser emitida a competente factura electrónica.
melhores cumprimentos.»

«time takes a cigarette» ou «the only thing constant in our times seems to be "Change"»

Já não tenho bem memória quem me falou do Michael Wesely, mas é um senhor alemão que trabalha com uma  coisa espectacular e que sempre foi uma das minhas grandes obsessões na fotografia : longa exposição. Não, não estou a falar daquelas fotos tutorial-de-photoshop-style de rastos de luzes de carros e de estrelas e o pôr-do-sol super alaranjado em que o mar parece nevoeiro que são tão bonitos que o lugar deles é num wallpaper de um computador qualquer. Falo de longa exposição de verdade. Esteticamente e temporalmente. Tipo assim, 3/4 anos de exposição do filme. Em 2001 ele foi convidado pelo MoMA em Nova Iorque para captar a reconstrução do edifício do museu. O tipo montou oito câmaras de grande formato em quatro pontos diferentes e deixou-as ficar a captar a imagem até 2004. O resultado foi qualquer coisa como isto :


A próxima fotografia foi tirada durante 14 meses na Leipziger Platz em Berlim que na altura (1999) em conjunto com a Potsdamer Platz eram dos sítios onde mais se construía no mundo.

Potsdamer Platz em 2 anos e pouco:

 «Just when one detail had burned into the negative it was erased or overshadowed by another detail. In his eyes this constant change and destruction is something that really stands for the state of our society. "The moment is fading, all that remaines is the permanent overlapping of movements of all kinds, political or personal. The technologies of our times fuel this fire of restless 'Online-Existence'. One day computers won't have an on- or off-button anymore. We will always be online."»

bullseye.


«Que a vida imita a arte já eu sabia desde que vomitei uma salada de frutas igualzinha a um quadro do De Kooning (uma semelhança extraordinária, embora a minha salada de frutas tivesse um lirismo que falta à composição do pintor. É a diferença entre produzir uma arte comercial ou outra que corresponde, de facto, a uma necessidade interior).»


(Ricardo Araújo Pereira, Visão de 22 de Setembro de 2011.)

4.9.11

A melhor sequência de planos que irão ver nos próximos 5 minutos.






(Fotogramas de Submarine de Richard Ayoade, RU, EUA, 2010)


Claro está que a menina de casaco vermelho, Jordana Bevan, tem um papel de muito relevo no "biopic" de Oliver Tate.






(Fotogramas de Simple Men de Hal Hartley, Itália, RU, USA, 1992)

quando Hartley pisca o olho a Godard.


(Fotograma de Simple Men, de Hal Hartley, Itália, R.U., E.U.A. 1992)







...ou como os Sonic Youth são muito mais kool do que qualquer bichanice francesa.

31.8.11

A religião é a maior praga de todos os tempos.