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2.1.13

Ressaca na Sic.



Cá pra mim o Johnny Depp só fez O Turista pra dar umas beijocas à Jolie. 

6.11.12

is like a child taking apart a clock to understand time.

 (fotograma de Sangue do meu sangue, João Canijo, 2011)

(fotograma de Oslo, 31. august, Joachim Trier, 2011) 

Acabei ontem de ver o Sangue do meu sangue. Demorei três dias, até que não foi mau. Vi-o a conselho de um amigo que elogiou o argumento e os diálogos bem escritos - ou não fosse ele próprio argumentista. E cada vez mais me convenço que a minha embirração com o cinema português tem algum fundamento. O último grande filme português que vi foi o Alice - se calhar porque não tinha grandes diálogos. Em Sangue do meu sangue safam-se a Rita Blanco, a Anabela Moreira e o Nuno Lopes. O resto parece diálogo teatral forçado - do "Dr. Beto" nem se fala-, estereótipos exagerados - Tony Carreira, futebol, telenovelas, Pingo Doce, os gajos do hip hop. Nunca se chega a acreditar realmente que aquela gente é do Bairro Padre Cruz ou que a trama poderia ser lá passada. Nisso tenho de elogiar os brasileiros ou os ingleses - quando fazem um filme ambientado na favela, bairros suburbanos etc. não duvido da sua veracidade, embora seja uma realidade que só me chega pelos media ou relatos indirectos. E a trama. Estava tudo bem até o João Canijo resolver mostrar que leu os Maias ou que vê novelas mexicanas. É que nem o Nuno Lopes - a mais credível de todas as personagens - escapa a essa coisa do enredo novelesco no final. E e penúltima cena é mesmo a que se safa. Uma coisa fortíssima que tem uma única falha : a Ivete cantar uma música em inglês quase perfeito. 

Em contraste, o Oslo 31 de agosto. Uma coisa super refinada formalmente - as intenções são outras, claro. Diálogos e interpretações impecáveis - tendo em conta o que se poderá perder com o facto de não ser uma língua "familiar"..., até o jogo do focado/desfocado que noutra altura qualquer acharia exagerado me caiu bem. Não é um filme que veria uma segunda vez, mas não deixo de lhe tirar o chapéu. 



25.11.11

"Life sucks and then you die."*

* uma crítica bem humorada a Melancholia (Lars von Trier 2011),  Mark Hobin no Rotten Tomatoes.

Mas não interessa muito agora dissertar sobre a vida e a morte, embora Lars von Trier tenha muito gosto em fazê-lo, de preferência com muito sofrimento - tendencialmente feminino - à mistura. Kirsten Dunst é uma senhora que sofre de uma doença indefinida, com uma família disfuncional. O filme baseia-se na relação dela com a irmã - cada uma delas têm direito a uma parte do filme em que é "protagonista" ("Justine" e "Claire") - sendo a estória apimentada com um suposto planeta, "Melancholia",em rota de colisão com a Terra. Já li algumas críticas que sustentam que o tal planeta que choca com a Terra é uma metáfora, blá blá blá, até ai posso aceitar, até porque acho que o nome Melancolia não é inocente, tanto pelo significado da palavra e a sua relação com o estado de espírito de ambas as protagonistas, como pelo facto de "melancolia" ser originalmente um dos pecados capitais - hoje em dia bem que os cristãos tavam lixados, com tanta depressão que prai anda...
A questão é que a senhora Dunst ainda tem que comer muita sopinha para fazer uma interpretação digna de um Lars e que não envergonhe as suas predecessoras. É sempre arriscado apostar em figuras muito vistas para este tipo de filme. Lars contrariou esta afirmação quando apostou - e muito bem - em Nicole Kidman para Dogville. Arriscou ao fazê-lo de novo, ainda por cima rodeando Dunst de Alexander Skarsgård, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland - o primeiro é a mais recente paixão das pitas (eu incluída) da super-série vampiresca True Blood, Charlotte teve um papel tão marcante em Antichrist que é um erro usá-la no filme seguinte (embora tenha um bom desempenho) e Kiefer, o senhor 24 Horas, até se porta razoavelmente bem prá coisa.

Mas já me estou a perder, não era minha intenção dissecar o filme, mas sim esta imagem:



Esta imagem figura na maior parte dos cartazes promocionais do filme e faz parte da sequência inicial, uma coisa super formalista que Lars inventou como prólogo e que só se irá perceber bem no fim do filme.
Quando vi isto, pensei para comigo : "Outra vez a Ofélia". 


Ophelia(a do Hamlet, que se afoga no rio) é um dos quadros mais famosos de John Everett Millais, pintado entre 1851-52. Foi sempre um quadro que me fascinou e não é a primeira vez que topo que alguém o usa como referência, já aqui tinha falado nele a propósito do Nick Cave e do vídeo da Where the Wild Roses Grow.
Mas, claro, posso estar a ver coisas onde não existem, tanto quadro, tanta referência que praí anda...no entanto o senhor Lars é um querido e faz questão de nos mostrar de onde vêm as coisas :




Há uma cena em que Justine (Dunst) está na biblioteca, chateada com a vida, olha à sua volta e só vê quadros abstractos nos livros expostos ( tudo Suprematismo, arriscar-me-ia a dizer tudo do Malevich, na segunda imagem vê-se bem o Quadrado Branco Sobre Fundo Branco). Então, começa a substituí-los por outros livros, com pinturas figurativas.





E...voilá! A Ophelia lá no meio!

4.9.11

A melhor sequência de planos que irão ver nos próximos 5 minutos.






(Fotogramas de Submarine de Richard Ayoade, RU, EUA, 2010)


Claro está que a menina de casaco vermelho, Jordana Bevan, tem um papel de muito relevo no "biopic" de Oliver Tate.






(Fotogramas de Simple Men de Hal Hartley, Itália, RU, USA, 1992)

quando Hartley pisca o olho a Godard.


(Fotograma de Simple Men, de Hal Hartley, Itália, R.U., E.U.A. 1992)







...ou como os Sonic Youth são muito mais kool do que qualquer bichanice francesa.

31.8.11

A religião é a maior praga de todos os tempos.


28.8.11

all we ever wanted was everything

The dreamers (2003) Bernardo Bertolucci





A good life will never be enough.

14.8.11

A melhor lista de filmes-que-temos-que-ver-antes-de-morrer de que tenho conhecimento até hoje.

1ª parte
http://www.imdb.com/list/360sTV07Eh4/?start=1&view=detail&sort=listorian:asc

2ªparte
http://www.imdb.com/list/360sTV07Eh4/?start=51&view=detail&sort=listorian:asc


Isto está assim, tipo, perto da perfeição. Só não a atinge porque deixa de fora o Aurora do Murnau e o Potemkin do Eisenstein. Gostos são gostos mas há filmes que não podem ser ignorados.

 

hail to Lavoisier! (aviso - post para super-nerds only!)


Descobri há uns tempos através deste vídeo o gajo com quem eu vou casar quando for grande : Kirby Ferguson, um realizador de Nova Iorque. E, já de mim fascinada com a habilidade do senhor em pegar numa coisa de todos os dias e ver um padrão (assim como eu vi nos nas capas dos cds com círculos, embora a minha visão ser aproxime mais da conspiração) fiquei de boca aberta com um projecto que o senhor tem, de nome "Everything Is a Remix", uma série de quatro episódios sobre influências e apropriação no processo criativo.

A primeira parte, "The Song Remains the Same", fala sobre música, com ênfase especial nos senhores Led Zepplin.
A segunda parte, "Remix, Inc", fala sobre cinema, principalmente sobre a saga Stars Wars.
A terceira parte, "The Elements of Criativity" fala sobre algumas invenções famosas.


28.7.11

Space Oddity

Mariana Lopes 2011


Mãe, meti-me nas curtas e usei a FAUP como cenário.

25.7.11

a propósito de nada







An Education, Trust, My Blueberry Nights e uma foto da Anne Brigman (thanks old guy). E ainda hei-de encontrar mais.

2.5.11

das traduções muito mal amanhadinhas

(fotograma de O Céu sobre Berlim, de Win Wenders, RFA/França 1987)

«My story isn't about BERLIN 
because it is set there,
but because it couldn't be set anywere else.
The name of the film will be :
THE SKY OVER BERLIN
because the sky is maybe the only thing
that unites these two cities, 
...
with a common past
but not necessarily a shared future.» 


WENDERS, Win, An Attemped Descripition of an Indescribed Film and Wings of Desire, The Logic of Images : Essays and Conversations, Faber and Faber, London/Boston 1991


O título original da coisa é Der Himmel über Berlin que, traduzido literalmente, dá qualquer coisa como O Céu sobre Berlim, sendo que "céu" adquire um duplo sentido : tanto em alemão (himmel) como em português (céu) a palavra pode significar aquela coisa azul sobre as nossas cabeças ou aquele sítio onde as pessoas que se portaram bem vão parar depois de deixarem o invólucro material, o que faz todo o sentido visto o filme retratar a vida dos anjos. Já em inglês há uma palavra para cada coisa : "sky" e "heaven". Claro que a opção por traduzir como "sky" excluiria o significado de "heaven" e vice-versa, mas no caso, dado que "Himmel" está em maiúscula a opção mais acertada seria traduzir como "heaven".
Não sei quem foi o palerma que traduziu isto como Wings of Desire ou o ainda maior palerma que foi atrás e traduziu como Asas do Desejo, mas chateia-me que um grande título com um grande significado se perca devido a umas quaisquer picunhices das distribuidoras.

26.4.11

"Penso, logo existo. Lembro-me, logo me fodo."*

(fotograma de Buffalo '66 de Vincent Gallo E.U.A 1998)


Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.


*gamado ao vontade indómita

4.3.11

I ♥ auto-referências

...e até me babo toda quando dou conta de coisas como esta.

(fotograma de Delicatessen, de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet, França 1991)

Em Delicatessen, o parzinho romântico era composto por Louison e Julie. Ele tocava serra e ela violoncelo.


 (fotograma de Micmacs à tire-larigot, de Jean-Pierre Jeunet, França 2009)

Dezoito anos depois, numa das cenas de Micmacs (também de Jean-Pierre Jeunet), vemos o herói, Bazil, tentar infiltrar um microfone no apartamento de um empresário de armas, pela chaminé. Não acerta nem à primeira nem à segunda. O caricato é que à segunda ele acerta num apartamento onde vemos duas pessoas, uma a tocar violoncelo e outra serra, o mesmo casal de Delicatessen (e o mesmo actor, Dominique Pinon. Calculo que a atriz seja diferente já que não dá pra ver a cara dela).

3.3.11

Chick flick à moda do Porto.


Ontem, a Catarina fez o favor de me apresentar uma senhora muito peculiar que pelos vistos para além de se dedicar ao negócio dos queijos ali algures na Praça dos Poveiros gosta de fazer filmes. A senhora em questão, de sua graça Maria José de Jesus Silva, 55 anos, há 40 anos que não vai de férias porque todo o dinheiro que junta é gasto na produção de filmes. Da sua filmografia, destaco o seu mais recente "Mulheres Traídas", "uma história de infidelidades contada na voz feminina".



A par do filme, o making-of de Miguel Marques, apresentado no DOC Lisboa:


E aqui a página da senhora, "Maria José, humorista à moda antiga" que (pasme-se!) também é autora das bandas sonoras dos ditos filmes.

24.2.11

that is not necessarily true.




(fotogramas de Vertigo, de Alfred Hitchcock, EUA 1958)


Quando a vida te dá limões, acaba sempre em salgalhada.

21.2.11

that's all folks.

 
(fotogramas de Easy Rider, de Dennis Hooper, EUA 1969)




14.2.11

dos enquadramentos.

A colocação da câmara e a escolha do enquadramento assume um papel fulcral na questão da apresentação da acção, de seus intervenientes e da sua relação com o espaço. Posteriormente entra a questão da montagem, embora seja uma questão que na minha opinião é pensada logo ao princípio e não como um acto à posteriori feito por um homem numa sala qualquer.
E é engraçado que a maioria dos filmes que nos são apresentados hoje em dia (dentro de um certo circuito, claro) peca tanto pela falta de formalismo que sequências como esta do The King's Speech saltam à vista. Não vou entrar em considerações sobre a validade do que aqui foi feito, mas há claramente uma intenção no enquadramento, na disposição dos elementos, no tipo de plano que é feito e na sequência da montagem.


A sequência começa com um plano médio, onde vemos Albert e Lionel sentados frente a frente, dando início a um diálogo. Lionel é um  terapeuta da fala autoditacta, conhecido pelos seus métodos invulgares e neste ponto surge como uma espécie de última esperança para resolver o problema de gaguez de Albert.
Nesta primeira conversa, num constante tom provocatório , Lionel põe Alberto numa posição desconfortável enquanto tenta perceber o seu passado e o homem em que ele se tornou.



Depois de apresentada a situação, o diálogo é feito com planos alternados de Albert e Lionel. E é interessante notar a opção por situá-los de forma complementar, ou seja, Albert é encostado ao lado esquerdo do enquadramento enquanto que Lionel é apresentado do lado direito. O vazio de um plano é preenchido com a figura do personagem no plano seguinte...

...ou seja é como se houvesse uma tentativa de que o espectador junte os planos de forma a que sejam entendidos como um só, suavizando o corte e apimentado um bocado o campo/contra-campo habitual (montagem minha).

Outra questão explorada é o ritmo da sequência. Há algumas 'pausas', passando outra vez para plano médio.





É engraçado também notar a aproximação do plano ao longo do diálogo, acentuando a tensão e a intimidade, à media que as perguntas de Lionel se vão tornando mais pessoais e impertinentes fazendo com que Albert perca a paciência.