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20.6.11

não, não sou a única!


(fotogramas de Biutiful, de Alejandro González Iñárritu, México/Espanha 2010)


No fundo do mar e no fundo de lagoas e cascatas vivem criaturas feias e com muitos dentes que de repente, quando uma pessoa menos espera, lançam os seus tentáculos ,roçando-os  devagarinho nas nossas pernas. E depois engolem-nos inteiros.

25.5.11

da (im)pertinência da morte

(fotograma de Dogville de Lars Von Trier, demasiados países para serem mencionados 2003)


Não lhe era muito chegada, apenas dessas amizades de circunstância que se fabricam por frequentar os mesmos bares, gostar da mesma música, de uma certa estética dos anos 50. Nunca lhe perguntei o que era estar dentro da cabeça dela e julgo que ela própria tivesse dificuldade em explicar. Não aguentou ser mais ela. Podemos sempre ser outra pessoa. As possibilidades são infinitas quando se pensa chegar ao fim da linha. Mas ela não pensou que assim fosse. É trágico. Viveremos com isso de uma maneira ou de outra.

Demasiado fria? Sem dúvida. Apenas porque há acontecimentos ainda frescos na memória e se por um lado eles serviram para a formação de uma espécie de capa protectora que me permite neste momento criar uma certa distância, quase indiferença em relação à sua morte, por outro lado noto que venho a desenvolver cada vez mais uma certa paranóia, um medo irracional. 
O teu atraso de uma hora em relação ao combinado transforma-se num acidente medonho na A29, sangue e destroços por todo lado. Imagino-a a ela a atravessar a estrada sem olhar e a morrer-me nos braços. Um acidente de avião, um enfarte, um assalto para tantos outros. E se ao longo dos anos fui amadurecendo a minha visão da morte e de como lidar a sua inevitabilidade, parece-me neste momento, e depois de ser confrontada com ela, que caiu tudo por terra. 



E no Sábado fui ao Imaginarius. E encontro o Tiago e o Duarte. Fiquei cabisbaixa. Ao perguntares-me o que se passava respondo que eles estão ligados a um episódio triste da minha vida. Não parecia. Pois não...somos assim, a maneira de lidarmos com as memórias que nos assolam sempre que nos vemos é relativizar a coisa. Secalhar somos até efusivos demais. E passado dois minutos, eu ainda no meu mood cabisbaixo e passa o Gusta, ligado também a esse episódio triste. E o universo é uma merda, porque não se devia permitir a este tipo de coincidências caprichosas. Mas como dizia o outro, o universo é indiferente. A minha sanidade, infelizmente, não o é.

26.4.11

"Penso, logo existo. Lembro-me, logo me fodo."*

(fotograma de Buffalo '66 de Vincent Gallo E.U.A 1998)


Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.


*gamado ao vontade indómita

3.2.11

temptation inside your heart



Não sei como após estes anos de delírios carnais incompreensíveis ainda acredito que não vais ter uma súbita mudança de humor deixando-me sozinha com a minha cama e os meus pensamentos impuros. Devia ser fiel ao que te disse numa dessas trocas de mensagens off-line do messenger (sim...escreveste muita coisa, não te deves lembrar, eu lembro-me, gravei tudo): 'quero que saiba que levo as suas palavras tão a sério como um impulso de um bêbado, sempre levarei.'

15.11.10

someone shot our innocence


(fotogramas de Badlands, Terrence Malick, EUA 1973)

A propósito de uma tentativa de portfólio-relâmpago andei a rebuscar o passado. Dei-me conta que está por estes dias a fazer um ano...se aquele momento no cruzamento da Voluntários da Pátria com a Real Grandeza tivesse sido filmado dava qualquer coisa lamechas de domingo à tarde na TVI. E apesar de tudo está na gaveta dos momentos-do-caraças-aos-quais-só-tens-direito-uma-vez-na-vida. 

É terrível e pateta, mas inevitável.

9.11.10

a time to be so small

Izima Kaoru

Chove, estou constipada, a gaja do quarto ao lado resolveu trazer o piano acústico e passa o dia a treinar escalas, os fantasminhas nada friendly andam a assombrar-me a cabeça mais um vez. Lovely.

5.11.10

analog love e etc.

 

(Mariana Lopes 2010)

Ontem, enquanto me divertia a fazer as minhas primeira provas de contacto - super-profissional, hum? - pensava num artigo que li há pouco tempo e numas conversas parisienses. Voltei a pensar nisso durante grande parte do concerto dos Sun Araw (no resto de tempo pensei na tese - psicadelismo a mais para mim).
O artigo abordava a questão de como, principalmente a partir da Revolução Industrial, nos temos tornado cada vez mais 'especializados' , e dava como exemplos opostos à especialização Pitágoras ou Leonardo da Vinci, senhores que no seu tempo eram uma espécie de humanos multitasking. O jornalista (épa, continuo sem me lembrar onde raio li a cena) não era ingénuo, claro, e salientava que a quantidade e meios de informação e conhecimento que existia na antiga Grécia  ou no Renascimento não é comparável à actual. 

No meu caso, ao invés de apostar na especialização - acredito que encaixes de caixilhos ou arquitectura dos mosteiros cistercienses sejam assuntos deveras interessantes - resolvi andar a deambular entre arquitontices, cinema, design e fotografia (continuo a achar que a formação em arquitectura é um exelente ponto de partida - principalmente no que toca à percepção do espaço e à sua 'produção'), com resultados razoáveis, embora não tão consistentes como um certo grau de especialização em cada em deles me permitiria - o que não deixa de ser irónico. 
Entretanto andei a experimentar a música . E aqui reside a desilusão. Consideraria que a minha formação clássica e a minha 'base de dados' me permitiria mover-me com facilidade na criação musical. Nada mais errado. Perco-me nas batidas, samples e instrumentos sem conseguir ter uma visão lógica do que estou a/quero criar.
Mas para quem não apresenta as mesmas dificuldades de multitasking aconselho vivamente o magnifico Audiotool :


Apesar da plataforma super acessivel e de certa forma lúdica, acho que me fico pelo Ableton Live,... embora tão cedo não o volte a abrir.

13.6.10

Don't you want to know how we keep starting fires?









Deveria ser mais assim. Mas como sempre cedo facilmente aos prazeres da carne...assim como o pladur da tua casa cedeu pela segunda vez ao impacto do sexo selvagem.
Devias vir antes pra minha casa. Ao menos aqui só estragas o dedo do pé e os meus braços.

5.5.10

A última vez que Mariana se entusiasmou com arquitectura (já lá vão uns bons 3 anos...) foi devido a estes senhores - e a mais uns cromos que andaram a fazer/escrever umas coisas porreiras nos 60's. A ver se arranjo uns minutos pra escrever umas palavras sobre eles. Merecem.

É um facto.




Mariana já não se entusiasma com arquitectura. Temos pena.

I used to be darker, then I got lighter, then I got dark again


Mariana Ldl está espantada com a inconstância do seu estado de espírito ao longo do dia.
Mariana Ldl gostaria de adormecer.

29.4.10

'passou as passas do Algarve para fazer das tripas coração'*



...mas chegou à conclusão que não tem estômago pra isto.


* escrito algures pelo Kiki, o grande manipulador de palavras.

22.1.10

me my brain and I 2




a conciência una mora num penumbroso salão de banquetes perto do tecto de uma mente cujo chão de dez mil baratas mexe quando um raio de luz irrompe e une todos os pensamentos num instante de concordância do corpo já sem expirar e as baratas são uma verdade que nunca ninguém sussurra

4.48 Psicose    Sarah Kane

21.1.10

Por vezes comovo-me. Não que a 'última aula' tenha sido particularmente excepcional, [gostava mais do tom coloquial das 'outras aulas']...mas os tem-as levantados, todos a girar em torno da grande questão da identidade cultural, são-me particularmente pessoais neste instante em que tento perceber o que raio é isso da identidade cultural para talvez vir a escrever uma dissertação - não sobre a identidade cultural portuguesa, mas sobre uma identidade que lhe tem muito a dever que é a brasileira.

Mas o caso é que a minha emoção não é directa; emociono-me sim por um dia isto tudo me ter emocionado : a identidade cultural portuguesa, o sentido da arquitectura enquanto questão social, as revoluções, aquele telurismo exacerbado do qual eu padecia nos tempos em que gostava de andar feita cabrita a subir o rio de Cabanas ou a serra da Guardunha...- e vejo-me [hoje] um bicho urbano, que começa a ter dificuldade em assimilar qualquer informação que não seja imediata...[um filme?só se for uma série de, no máximo, 30min de duração por episódio...um livro?...awmm só se forem crónicas, ou contos...], que já não se sente propriamente confortável na sua solidão...e assusto-me. Por olhar para trás e ver-me num Tempo diferente daquele em que vivo hoje : meio em crise de identidade, meio aculturada, a comer saladas enquanto o meu cérebro saliva por informação fast-food.

imagem gamada aqui

15.1.10

no strings attached...*



*ou : dos altos e baixos de uma rapariga de estatura média [frase roubada (e adaptada com descaramento) ao J.P.Simões...] ou ainda : matar dois coelhos de uma cajadada.



quando ainda me inspiravas, (agora não sei muito bem onde te hei-de meter) : 



No meu sonho passeio pela cidade. Numa esquina encontro o coelho gigante do Donnie Darko,  que com um ar lascivo acena dois frasquinhos enquanto sussurra 'eat me....drink me....'. Passo por ele até encontrar um polvo gigante, que me acena com oito frascos nos seus oito tentáculos....não sussurra como o coelhinho.....grita em plenos pulmões : FUCK ME!FUCK ME!...Fico surpreendida com a frontalidade do polvo e bebo um dos frascos. De repente o chão transforma-se em espelho e sou sugada para o outro lado. Dou por mim naquilo que parece um sistema de esgotos, misturado com todo o sistema de cabos e canos que deve existir por baixo do chão. Ando um bocado até me aperceber que não estou por baixo da cidade, estou dentro do teu cérebro. Passeio entre milhares de ligações, neurónios e nervos enquanto penso em ter cuidado...o teu cérebro é cheio de armadilhas, os teus pensamentos cheio de truques, as tuas ligações cheias de ratoeiras...e enquanto vou caminhando penso em que esquina vai estar a rainha de copas para me cortar a cabeça. De repente lá está ela...bem no meio dos hemisférios...antes que me aperceba já a minha cabeça rola pelo chão... ganha umas patinhas e começa a correr dali pra fora....[esta já não serve]...mas no meu pescoço começa a crescer uma espécie de bolha. A bolha rebenta e aparece uma cabeça nova....a rainha de copas vira-se pra mim e diz:'....por mais que tentes pintar as rosas de vermelho elas serão sempre brancas...'...e eu respondo-lhe..'e qual seria a piada se assim não fosse?'




quando o sexo era bom, quando tinha um crush por ti, e quando por aí a soltar a franga  :



Para ti, o meu coração, arrancado do meu peito...para ti todas as minhas artérias e veias, em conjunto com todo o meu sangue;....para ti, todas as minhas entranhas, o meu fígado, o meu estômago e rins, rasgados, arrancados de dentro de mim ainda frescos e a pulsar;...para ti as minhas cordas vocais, a minha garganta e língua gritando nas tuas mãos, por causa das tuas mãos;....para ti os meus olhos, arrancados das órbitas com aquela mesma faca, a de cabo preto;...para ti as minhas unhas, pintadas de vermelho;....para ti todo o meu corpo, autopsiado, esventrado e incinerado por ti...,


E então todo o meu corpo dilacerado se aproximará devagarinho de ti, as minhas artérias enrolar-se-ão em ti, sufocar-te-ão espalhando todo o meu sangue pelo teu corpo, e o meu sangue esgueirar-se-á pelos teus poros, invadindo-te completamente, e a minha garganta gritará até não poderes mais ouvir, e as minhas mãos estrangular-te-ão até o verniz vermelho das minhas unhas se confundir com a tua carne e todos os meus órgãos substituirão os teus;...


E tudo isto, tudo isto para saberes, para teres plena consciência de todas as inacreditáveis formas com que me matas, para sentires como os meus órgãos se revolvem e explodem;...para sentires os meus gritos abafados e o fogo de artifício no meu estômago, para sentires o meu sangue e ferver e as artérias a desintegrarem-se, os meus olhos e tudo o resto a derreter-se, formando uma bola que tu atiras para todos os lados, dentro da fornalha que é o meu corpo e que são os meus sentidos;...

Sim, quero que sintas, quero que ME sintas a morrer de tantas maneiras que não poderás imaginar, quero que sintas os meus suores frios de privação, aquelas noites de esquizofrenia, quando suplico que me venhas dilacerar outra e outra vez, até me tornar num indecifrável bolo de entranhas que levarás para a tua cama, taparás com o lençol, enquanto esperas paciente, que desse bolo eu renasça, para me matares outra e outra vez...



Para ti, meu carrasco, todo o meu corpo, todos os recantos recônditos do meu corpo, tudo para ti...tudo só para ti.......menos a minha alma e o meu amor,...que esses tive de os vender para te poder ter....




...isto de andar a organizar o pc tem que se lhe diga...descubro que o facto de pela primeira vez na vida não ter assuntos pendentes é de certa forma nostálgico...

29.12.09

a meio do caminho descerebrei-me e aconteceu o que sou hoje


28.12.09

no llores más.







a todos aqueles que me aturaram nestes tempos de inquietação existencial : santa seja a vossa paciência.



11.12.09

a história da minha vida (II parte)* **


*e a história de tantas outras vidas


 girl meets boy e uma consequente série de chatices*

*(porque o folheto informativo do super bock em stock também dá lições de vida)

13.11.09

ira divina é foda




Considero-me uma pessoa de sorte. Passo a explicar : normalmente as decisões que tomo acabam sempre por dar em merda, no entanto aquilo que sobra para o 'acaso' decidir é-me grande parte das vezes favorável.
Por isso, a sucessão de coisas que me têm corrido mal ultimamente, só poderão ser (numa explicação completamente lógica) fruto da intervenção de um poder superior que eu (sem querer) irritei. Trocando por miúdos : o cristo redentor tá mas é lixado por eu ter passado um ano no Rio de Janeiro e não ter ido lá acima (contribuindo assim com o ansiado pastel, pasta, carcanhol, guito, massa que todo o turista deixa lá ficar - e não é pouco) e congeminou com a cidade, tornando esta porra num ambiente mais hostil do que já era...


Eu, como bela céptica que sou, vou mas é lá cima antes que as coisas piorem ainda mais pró meu lado.

10.11.09