Já o tinha na prateleira há quase um ano, foi presente de aniversário. Just Kids, Apenhas Miúdos, a história da Patti Smith e do Robert Mapplethorpe, narrada por ela, desde que se conheceram no final dos anos 60, até à morte dele no final dos anos 80. E, apesar de contar os factos de uma forma um bocado superficial e idílica - já tinha lido algumas coisas, nomeadamente a propósito do caso dela com o Sam Shepard e não foi tudo um mar de rosas como ela deixa transparecer no livro -, é uma história lindíssima, principalmente no princípio. Por ser Nova Iorque nos 70s. Como já me tinha apercebido no Naked City, a cidade era suja e perigosa, os artistas não tinham onde cair mortos, passavam fome e criavam com o que lhes vinha à mão. Essa realidade, mais do que as tretas da paz e amor, essa crença em que estão a criar algo de maior, passarem muitas dificuldades mas conseguirem prevalecer e consolidar uma obra que hoje em dia encontrou, tanto no caso dela como no dele, e no de tantos outros que lhes foram contemporâneos, um lugar de relevo na história da cultura artística popular ocidental faz-me sentir ridícula por já ter quase 26 anos e não ter feito grande coisa, por me sentir restringida por não ter uma máquina melhor, ou por demorar um ano a acabar um texto, um desenho. Preciso de sair daqui.
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3.9.12
1.8.10
nerd alert!
(fotograma de Sügisball - Baile de Outono, Veiko Õunpuu, Estónia 2007)
A verdade é que o livro está em estónio e não percebo puto do que lá está escrito (acho que é uma espécie de dicionário do sexo...tem umas ilustrações elucidativas...)...mas não pude resistir quando o vi na banca de uma loja de cenas em segunda mão...
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15.6.10
os abismos têm razões desconhecidas.
Às 4:48
quando a sanidade me visitar
vou estar uma hora e doze minutos consciente.
Quando passar estarei longe outra vez,
uma marioneta fragmentada, um parvo grotesco.
Agora estou aqui e vejo-me
mas quando sou seduzida por ilusões vis de felicidade,
a magia falsa deste engenho de feitiçaria, não consigo tocar no meu eu essencial.
(No meio da confusão cerebral abri Sarah Kane ao acaso. Saiu isto. Não era bem o que eu estava à procura mas serve igualmente.)
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14.6.10
Outro dos meus affairs de adolescente meteu-me uma vez este livro nas mãos. Não fazia a mínima ideia quem era o MEC, mas na altura li e adorei. Desde ai nunca mais acompanhei o que o senhor escreveu, tirando as crónicas diárias no Público (que desisti de ler...perdoem-me mas aquilo é caca).
Há uns tempos comentei com outro affair (ou lá o que foi que a gente teve) que gostaria de arranjar o livro e lê-lo agora, e ver se ainda o acharia tão inteligente e bem escrito quanto achei na altura. Ele lá desencantou o livro num alfarrabista, mas devido a circunstâncias do diabo nunca o cheguei a ir buscar. Ainda bem. Na sexta-feira encontrei-o por 2 euros no Emaus. Yeah!
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19.5.10
o estrangeiro II
Um dia fui vê-lo ao teatro. E num único dia li o livro. Mas gostei foi mesmo da introdução do Sartre. 'Ferpeita'.
" 'Os gestos de levantar, carro eléctrico, quatro horas de escritório ou de fábrica, refeição, carro eléctrico, quatro horas de trabalho, refeição, sono, e segunda-feira, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, no mesmo ritmo...' e depois, de repente, os cenários desabam e acedemos a uma lucidez sem esperança. Então, se sabemos recusar o socorro enganador das religiões ou das filosofias da existência, temos algumas evidências essenciais : o mundo é um caos, uma 'divina equivalência que nasce da anarquia'; -não há amanhã visto que se morre. '...Num universo subitamente privado de ilusões e de luzes o homem sente-se um estrangeiro. Tal exílio é sem recurso, visto que está privado das recordações de uma pátria perdida ou da esperança de uma terra prometida.'"
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o estrangeiro
'Compreendi que destruira o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Voltei então a disparar mais quatro vezes contra o corpo inerte, onde as balas se enterravam sem se dar por isso. E era como se batesse quatro breves pancadas à porta da desgraça.'
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11.5.10
bonito bonito...
...é entrar numa livraria e dar de caras com estas novas edições da Contraponto com ilustrações assinadas por Michael Gillette. No meio de tanto design pobrezinho fez-se luz. São simplesmente adaptadas da edição americana, but who cares?
Principalmente porque o objectivo era sair de lá com este exemplar no saco. E saí. E vim a pensar pelo caminho que esta capa era muito má. E que o título (que, apesar de ser uma tradução literal, se come melhor em inglês do que em português...) lhe dá um ar meio Nicholas Sparks em dia mau. Espero que o conteúdo seja mesmo muito bom.
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eu tenho medo dela.
Só poderemos tentar explicar como em tão pouco tempo Orlando passou do deslumbramento ao desgosto, admitindo que essa misteriosa composição a que chamamos sociedade não é absolutamente boa ou má em si mesma; que ela contém um espírito volátil mas potente que, ou embriaga, quando a julgara Orlando, encantadora, ou produz dor de cabeça, quando a julgamos, como agora julgava Orlando, repulsiva.
(Orlando, Virgínia Woolf)
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27.4.10
o Katurian Katurian Katurian e o Humbert Humbert
e o Broken Flowers do Jim Jarmusch, que me vai fazer pegar outra vez no Lolita e acabá-lo. Para perceber de uma vez por todas o porquê da associação da 'Lolita' com uma jovem teenager teaser. Porque para mim ela é inocente e ele um pedófilo. E o livro é sobre um pedófilo. E não me falem do Morte em Veneza que não tem nada a ver. Mas pode ser que mude de opinião.
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20.10.09
Tinha uma espécie de curiosidade. Porque simpatizo com o blogue, porque tudo o que me venha ajudar a perceber a minha própria relação com o Rio de Janeiro (nem que seja por experiências romanceadas ou fictícias de outras pessoas) é bem vindo. Porque acho piada aos 'filmes' preversos que certos estados tediosos suscitam. No fundo no fundo, tirando a escrita indisciplinada - que não surge como linguagem, mas sim como uma "dificuldade em manter a narrativa e ir fechando as pontas soltas a tempo" (que será o mais interessante do livro) - e algumas 'tiradas' com a sua piada ( não aquelas sexuais - 'descaramento íntimo'? toma lá um LOL) sobram o 'tédio burguês' e a 'neurose tropical'. Nunca o 'amor a uma cidade'. Quanto muito o amor a um bairro, uma zona, uma praia (claro, nunca seria sobre o tédio burguês se ela em vez do Leblon falasse do Flamengo, do Grajaú ou da Penha) - enfatizando o desconhecimento do resto da cidade quando ela descreve a sua volta do aeroporto para o Leblon, dizendo que fez 'toda a Linha Amarela' encontrando apenas ' um bocado de trânsito no Túnel Rebouças e nos sinais junto ao Jockey' [num outro capítulo e numa visita a S.Paulo ela escreve que 'estava perto do Museu de Arte Moderna, no meio da Paulista' - coisa meio imperdoável confundir o MAM com o MASP, mas isso sou eu por causa do cérebro de (quase) arquitecta, compreendo que pra outros não seja grande falha].E depois há aquela falácia em que quase todos os não-brasileiros caem. Lá pela relação com o corpo ser um tanto diferente do resto do mundo, não quer dizer que os brasileiros não sejam 'pequenos' - estando a sua abertura mental mais ou menos ao nível da da Dona Felisberta, habitante número 12 (dos 13) de uma aldeia perdida no Marão. São das pessoas mais conservadoras, misóginas, machistas, tradicionalistas, não respeitadores da individualidade que conheci (há excepções, claro).
Acho que me fico pelo tédio burguês das novelas da Globo (e por mais uma semana, pela dita 'pequenez do portugueses').
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11.9.09
não estou entrando em lugar nenhum mas saindo de todos os outros.

O que me estorva em Estorvo:
.poderia ser uma questão conceptual : o que para mim é entendido como uma estória de inevitabilidade de uma condição, Ruy Guerra entende como a busca de uma outra condição;
.poderia ser o exagero de recursos cinematográficos com vista a acentuar o universo distorcido de Estorvo;
.poderia ser a maneira um pouco naif com que ele conjuga todos esses recursos, resultando numa espécie de salgalhada visual;
.poderia ser o actor principal, que embora expressivamente satisfatório quando abre a boca ou anda/corre é uma desgraça;
.poderia ser a figura da amiga magrela ou do caseiro - desnecessariamente grotescas(que passariam a ser necessariamente grotescas se o resto do filme fosse construído noutro sentido...)
.poderia ser o final: no livro não há uma noção de fim mas de continuidade...
.poderia ser uma questão conceptual : o que para mim é entendido como uma estória de inevitabilidade de uma condição, Ruy Guerra entende como a busca de uma outra condição;
.poderia ser o exagero de recursos cinematográficos com vista a acentuar o universo distorcido de Estorvo;
.poderia ser a maneira um pouco naif com que ele conjuga todos esses recursos, resultando numa espécie de salgalhada visual;
.poderia ser o actor principal, que embora expressivamente satisfatório quando abre a boca ou anda/corre é uma desgraça;
.poderia ser a figura da amiga magrela ou do caseiro - desnecessariamente grotescas(que passariam a ser necessariamente grotescas se o resto do filme fosse construído noutro sentido...)
.poderia ser o final: no livro não há uma noção de fim mas de continuidade...

...mas não...a única coisa que me estorva verdadeiramente no Estorvo de Ruy Guerra é a casa(até porque no fim de contas até gostei do filme). A casa da irmã. Porque alguém que pretenda ser fiel na transposição do romance de Chico Buarque para o grande ecrã - que creio que tenha sido a intenção de Ruy Guerra- saberá que Chico estudou arquitectura. Por uns tempos, em S.Paulo. E isso transparece na construção dos espaços em Estorvo. Principalmente na casa da irmã. E o que no livro é uma grande construção espacial que faz inevitavelmente parte da caracterização das personagens e da própria acção, no filme ficará reduzido (nas poucas cenas de que faz parte) a um apartamento de fundo de escada, completamente secundário para o desenrolar da trama. E isso não se faz.*
*principalmente porque, agora que a dissertação será sobre Arquitectura e Cinema Brasileiros, essa casa, se devidamente transposta para a tela, teria dado pano pra mangas...
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10.12.08
à senhora margaret jull costa:

que grande facada que é traduzir 'intermitências da morte' por 'death with interruptions' .e não venham dizer os brasucas que nós portugueses é que somos demasiado literais....
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